QUEM ERRA NO SENADO, CONDENA O PAÍS.
É preciso dizer com todas as letras, sem eufemismo e sem medo: quem ignora a importância do Senado Federal está brincando com o futuro do Brasil.
Em ano eleitoral, muita gente se mobiliza para a Presidência, para o Governo do Estado, para a Câmara. Mas o Senado segue sendo tratado como voto secundário quando, na verdade, é um dos centros mais poderosos da República. Essa negligência histórica cobra um preço alto. E cobra sempre do mesmo lado: do povo.
Nós, do campo progressista e da esquerda, não podemos errar novamente. Votar mal para o Senado ou votar sem compreender o peso dessa escolha é assinar uma sentença política que pode durar décadas. Em tempos de avanço autoritário, essa sentença pode significar retirada de direitos, perseguições institucionais e, sim, risco concreto à vida de quem já vive na linha de frente da desigualdade.
Nenhum presidente governa sem o Senado. Isso precisa ser aprendido de forma definitiva. Sem maioria ou ao menos diálogo responsável naquela Casa, qualquer projeto eleito pelo povo fica engessado, sabotado ou permanentemente chantageado. Não existe governabilidade progressista com um Senado hostil.
O mundo está em ebulição. A geopolítica internacional deixa isso evidente. O caso da Venezuela independentemente das leituras ideológicas revela como a combinação entre pressão externa e instituições internas fragilizadas pode gerar instabilidade prolongada, isolamento e sofrimento social. O Brasil não está imune a esse jogo.
Por isso, não basta votar. É preciso entender em quem se vota. É preciso saber quem são os candidatos ao Senado, a quem servem, quais interesses representam e de que lado estarão quando a democracia estiver novamente sob ataque.
Este é um chamado direto aos movimentos sociais, às organizações populares, às entidades negras, sindicais e territoriais: ou construímos uma campanha conjunta de conscientização sobre o Senado, ou continuaremos reagindo aos danos depois que eles já estiverem feitos.
O Senado decide o ritmo do país.
Quem subestima essa escolha ajuda a empurrar o Brasil para o abismo.
Não é alarmismo.
É pedagogia política.
Márcio Madeira ∴
Editor do Portal Coisas de Gente Preta
Ativista do Movimento Negro
Comprometido com a Democracia, a Justiça Social e a Soberania Nacional