O “negativo” na filosofia: por que ele é necessário
Na filosofia, o negativo não significa algo ruim.
Ele significa contraste, limite e diferença.
Sem o negativo, nada pode ser percebido, definido ou compreendido.
1. Não existe luz sem sombra
A luz só é reconhecida porque existe a sombra.
Se tudo fosse luz, não veríamos nada.
É o contraste que permite a visão.
➡️ A sombra não é o erro da luz.
➡️ Ela é a condição para que a luz exista como luz.
2. O negativo constrói o positivo (dialética)
Na filosofia dialética (muito antes da política moderna), a realidade se move assim:
•Algo é
•Algo nega
•Dessa tensão nasce algo novo
Sem negação:
•Não há mudança
•Não há consciência
•Não há avanço
Ou seja, o negativo é motor da transformação.
3. O limite cria sentido
Só sabemos o que é:
•Dia, porque existe a noite
•Silêncio, porque existe o som
•Vida, porque existe a morte
O negativo delimita, e ao delimitar, dá sentido.
Negar o negativo é negar o próprio significado das coisas.
4. Na natureza, o escuro não é ausência é origem
Antes da semente brotar, ela está no escuro da terra.
Antes do nascimento, a vida se forma no ventre fechado.
O universo nasce do vazio escuro.
➡️ O escuro não é fracasso.
➡️ É gestação.
5. O erro histórico foi moralizar o negativo
O problema não é o “negro” ou o “escuro”.
O problema foi a civilização ocidental associar moralmente:
•Claro = bom
•Escuro = ruim
Isso não é filosofia.
Isso é ideologia racista travestida de moral.
Na filosofia africana tradicional, por exemplo:
•O escuro é potência
•O silêncio é sabedoria
•O invisível é força
6. Aplicando à palavra “Negro”
Quando dizem que “negro” é negativo, cometem dois erros:
1.Confundem negativo com mal
2.Reproduzem um valor racista que não é natural, é histórico
Sem o “negro”, o “branco” não se define.
Sem o contraste, não há mundo visível.