erramos!

Talvez essa seja a primeira coisa que precisamos admitir diante do resultado desta eleição: erramos.

Erramos quando deixamos de conversar com parte da população. Quando confundimos presença institucional com organização popular. Quando acreditamos que nossas pautas, por serem justas, seriam naturalmente compreendidas.

O resultado está aí: pobre votando contra seus interesses, trabalhador apoiando o patrão, negros elegendo projetos que não representam suas necessidades e uma direita cada vez mais organizada ocupando espaços que deixamos vazios.

Mas será que basta dizer que o povo foi enganado?

Se não estamos conseguindo disputar essas pessoas, precisamos perguntar onde estamos falhando.

Falo também a partir de uma trajetória construída no IPCN, no COMDEDINE, no Coisas de Gente Preta e no PCNB. Por isso, quando digo “ERRAMOS”, não estou falando dos outros. Estou falando de nós.

E essa pergunta também precisa chegar ao Movimento Negro.

O que aconteceu com nossas instituições, conselhos, institutos e organizações de base? Estamos formando novas lideranças? Ainda dialogamos com as comunidades ou estamos falando cada vez mais entre nós?

E talvez exista uma questão ainda mais delicada: nossa relação com o Estado.

Disputar políticas públicas e ocupar espaços institucionais é necessário. Mas disputar o Estado é diferente de depender dele.

Será que, em algum momento, confundimos reconhecimento institucional com autonomia?

Nossos antepassados entenderam que a sobrevivência também dependia de organização própria. Criaram escolas, associações, imprensa, cultura e redes de solidariedade.

Hoje temos mais espaços institucionais. Mas temos mais organização?

Talvez esta eleição seja um espelho.

E, antes de procurar culpados, precisamos ter coragem para olhar para ele.

ERRAMOS.

Agora precisamos entender onde, por que e como reconstruir.

Márcio Madeira ∴
Responsável pelo Portal Coisas de Gente Preta
Informação, consciência racial e compromisso político.

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