Diplomacia, Forças Armadas e universidade: o poder institucional segue sem rostos negros
Mesmo representando cerca de 55% da população brasileira, pessoas negras continuam afastadas dos espaços mais altos do Estado. No Ministério das Relações Exteriores, apenas 15,7% dos diplomatas se autodeclaram negros, e menos de 5% das chefias no exterior são ocupadas por profissionais negros.
A mesma lógica se repete nas Forças Armadas. A presença de homens negros nos postos de comando da Marinha do Brasil é rara, e a chegada a cargos de oficiais-generais permanece exceção, evidenciando barreiras históricas de acesso e progressão. Situação semelhante é observada também na Aeronáutica.
No campo acadêmico, o padrão não é diferente. Recentemente, uma professora negra, doutora, aprovada em concurso público para universidade federal, teve sua nomeação destituída mesmo após cumprir todas as etapas legais. O caso expôs como, mesmo quando o acesso é conquistado por mérito, a permanência de pessoas negras em espaços de prestígio institucional segue sob constante questionamento.
Os episódios revelam um mesmo traço: a exclusão não é acidental, é estrutural. A indignação pública pode até surgir, mas, quando ela passa, o sistema permanece funcionando como sempre funcionou.
Fonte: dados oficiais do MRE, pesquisas do OBPopRua e registros públicos
Márcio Madeira ∴
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