Nasceu, no último sábado (21), o PCN — Partido da Causa Negra.
A fundação ocorreu por meio de uma Assembleia Nacional de caráter híbrido, com base presencial no bairro de Ricardo de Albuquerque, no Rio de Janeiro, reunindo participantes de diferentes regiões do país. Nesta etapa inicial, o partido já conta com a adesão de representantes de nove estados, estabelecendo o núcleo mínimo necessário para o início de sua organização nacional.
Mais do que um ato formal, a fundação do PCN representa o surgimento de uma nova posição política no cenário brasileiro. Um partido que não se limita às estruturas tradicionais, mas que se organiza a partir da compreensão de que o principal eixo de conflito no Brasil é racial, histórico e estrutural.
O PCN nasce com o objetivo de organizar politicamente o povo preto como sujeito de poder não mais como base, mas como direção.
Sua estrutura inicial conta com uma Executiva Nacional provisória composta por um Presidente e uma Vice-Presidente.
Essa composição busca garantir não apenas funcionamento administrativo, mas também coerência ideológica e capacidade de articulação política.
Entre suas diretrizes centrais, o partido assume compromissos claros:
– enfrentamento direto ao racismo estrutural nas instituições
– formação política e construção de novas lideranças negras
– fortalecimento da autonomia econômica e organizativa do povo preto
– defesa da cultura, da ancestralidade e das religiões de matriz africana
– atuação nas pautas sociais com centralidade na justiça racial
O PCN também se propõe a atuar de forma independente das polarizações tradicionais, afirmando-se como um partido de posição própria, com base na soberania política negra.
O desafio que se coloca a partir de agora é o da consolidação: ampliar sua base, estruturar suas direções estaduais, aprofundar sua formulação programática e disputar espaço no cenário político nacional com consistência e unidade.
A fundação do PCN não encerra um ciclo inaugura uma nova etapa. Uma etapa que exigirá disciplina, maturidade política e compromisso coletivo. Mas, acima de tudo, uma etapa que reafirma: o povo preto organizado é poder.