Organização é resposta
Os Panteras Negras, nos Estados Unidos, deixaram uma lição incontornável: quando o Estado falha e a violência racial se impõe, o povo negro se organiza. Não por impulso, mas com método, território e projeto político.
No Brasil, essa lógica também ganhou forma prática. Nos anos 1980, o SOS Racismo, iniciativa do IPCN, funcionou como canal permanente de denúncia, com atendimento presencial, registro sistemático de casos, orientação jurídica, acompanhamento de vítimas e interlocução direta com órgãos públicos e a imprensa. Era ação concreta, cotidiana, enraizada no território.
Nos Estados Unidos de hoje, o recrudescimento das operações do ICE reatualiza o debate sobre violência estatal e organização comunitária negra, recolocando o legado dos Panteras Negras no centro da discussão política contemporânea.
No Brasil, o racismo se apresenta como projeto nacional, operando da bala à caneta. Ele se expressa na chacina da Vila Cruzeiro, nas operações policiais recorrentes em favelas e periferias, na tentativa de desmonte das políticas de cotas em estados como Santa Catarina e também na destituição de uma professora doutora, legitimamente aprovada em concurso público, afastada de uma universidade após questionamentos que revelam o racismo institucional presente até nos espaços do saber e da produção científica.
Diante desse cenário, o PCN Partido da Causa Negra se coloca como espaço de reflexão, articulação e convergência. Não como resposta fechada, mas como convite à construção coletiva: somar forças físicas, políticas e ideológicas, pensar o Brasil a partir de uma perspectiva negra e reorganizar a luta em escala nacional diante de um sistema que atua de forma integrada.
A história não encerra debates.
Ela nos convoca.
Márcio Madeira ∴
Portal Coisas de Gente Preta.
Informação, consciência racial e compromisso político.