Eleições 2026: ENCRUZILHADA!
As eleições de 2026 nos colocam diante de uma encruzilhada histórica, no sentido mais profundo que a tradição de Exú nos ensina. A encruzilhada é o lugar da decisão, da escolha consciente e da responsabilidade sobre os caminhos tomados. Exú abre caminhos, movimenta possibilidades e rompe bloqueios, mas não decide por ninguém. O povo negro brasileiro é chamado, mais uma vez, a compreender que não há neutralidade possível neste momento político. Ou ocupamos os espaços de poder, ou continuaremos sendo alvos das decisões tomadas sem a nossa participação.
Diante dessa encruzilhada, é urgente e legítimo exigir posicionamento público das instituições do Movimento Preto. Entidades históricas, coletivos contemporâneos, organizações culturais, religiosas, políticas e sociais do Rio de Janeiro precisam dizer claramente qual projeto apoiam em 2026. O silêncio institucional não é prudência; é escolha política. Não basta existir ou resistir simbolicamente. É preciso assumir lado, apresentar compromisso e contribuir de forma concreta para a eleição de homens e mulheres negros progressistas aos cargos de decisão nacional.
Enquanto o movimento hesita ou se fragmenta, o Estado segue operando sua face mais cruel. A omissão nas políticas públicas convive com a brutalidade das forças de segurança. A Vila Cruzeiro é exemplo recente de uma política que naturaliza a morte, transforma territórios negros em zonas permanentes de exceção e trata a violência como método de gestão. Falta educação de qualidade, falta acesso à saúde, falta investimento social, mas sobra repressão, bala e encarceramento. Isso não é falha do sistema; é o sistema funcionando exatamente como foi desenhado.
Eleger deputados federais negros e progressistas é enfrentar essa engrenagem em seu núcleo. É disputar orçamento, legislar para a vida, fiscalizar o Estado e romper com a lógica que transforma o povo negro em estatística. A encruzilhada está posta. Exú abriu o caminho. A escolha agora é coletiva, consciente e profundamente política.
Negros progressistas no poder não é slogan. É necessidade histórica.
Márcio Madeira ∴
Responsável pelo Editorial do
Instituto Coisas de Gente Preta