Economizar em 2026: quando não nos ensinam a guardar, mas a gastar
A população negra nunca foi estimulada a economizar.
O sistema nos empurra para o consumo imediato, para o parcelamento infinito e para o endividamento como forma de pertencimento.
Economizar em 2026 é romper com esse roteiro.
Não se trata de falta de disciplina individual, mas de um projeto histórico que sempre dificultou a autonomia financeira negra. Planejar, poupar e organizar o pouco que se tem sempre foi visto como ameaça.
Economizar, na prática, começa com gestos simples:
olhar para os próprios gastos, cortar excessos que viraram hábito, criar uma reserva ainda que mínima e evitar o crédito como solução permanente. Comprar menos, comprar melhor e pensar antes de desejar também é economia.
Quando possível, fortalecer a economia negra é parte desse processo. O dinheiro precisa circular entre os nossos para gerar fôlego coletivo.
Crédito fácil não é inclusão financeira. É controle.
Juros altos, parcelamentos longos e dívidas intermináveis mantêm corpos negros presos ao ciclo da escassez.
Economizar também é um gesto racial.
Em 2026, poupar é sobrevivência, dignidade e resistência.